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OS 120 ANOS DA PONTE PRETA E AS GLÓRIAS NO BASQUETE FEMININO

EMBORA O FUTEBOL SEJA SEU ‘CARRO-CHEFE’, FOI NO BASQUETE QUE CLUBE CONTOU COM SUAS MAIORES CONQUISTAS

Por Daniel Nápoli

Nesta terça-feira (11), a Associação Atlética Ponte Preta, da cidade de Campinas, completa 120 anos de existência. Um dos mais tradicionais clubes do Brasil, o segundo time de futebol mais antigo em atividade no país já contou com grandes jogadores em seu elenco, que chegaram a inclusive integrar a Seleção Brasileira em Copas do Mundo.

Mesmo assim, no futebol que é seu carro-chefe, a Ponte não conseguiu que chegou a diversas decisões, não conseguiu dar à sua apaixonada torcida, os títulos que muitas gerações almejaram, mesmo tendo contado em seu elenco, com jogadores como Waldir Peres, Dicá, Oscar, Carlos, Polozzi, Luis Fabiano, entre outros.No futebol, conta em sua galeria de títulos com o Campeonato Paulista da Série A-2 (1969) e o Troféu do Interior (1927, 1951, 2009, 2013, 2015 e 2018).

Curiosamente foi no basquete, que a equipe viveu seus momentos mais gloriosos. Com um time comandado por Maria Helena Cardoso e sua auxiliar-técnica Heleninha, a Ponte ganhou tudo e mais um pouco entre 1992 e 1994.

Durante três temporadas, o time de Campinas foi bicampeão do Mundial de Clubes (1993 e 1994), um Campeonato Brasileiro (1994) tricampeão do Campeonato Paulista (1992, 1993 e 1994) e bicampeão dos Jogos Regionais (1992 e 1993). Além disso, o clube ganhou diversos títulos nas categorias de base da modalidade.

O time adulto contou com grandes estrelas, como a Rainha Hortência, Magic Paula, Janeth Arcain Karina, Marta Sobral, Helen e Silvinha Luz, Ruth, Elena Chakirova, Lígia, Ana Paula, Claudia, Roseli,entre outras, que lotavam ginásios e encantaram não só os torcedores da Ponte Preta, como os fãs de basquete do Brasil.


Ao Momento do Esporte, a ex-ala-armadora Helen Luz relembrou sua trajetória vitoriosa na Ponte Preta. “Tudo aconteceu em 1992, nossa equipe era a que tinha encerrado as atividades em Piracicaba , a gente não tinha mais o patrocínio do BCN, eu era muito nova, estava com 19 para 20 anos e lembro que a Maria Helena Cardoso) reuniu a equipe para falar que estávamos indo para Campinas, tinha feito uma parceria com a Ponte”.

A notícia a princípio, assustou Helen. “Pois ia sair de Piracicaba para uma grande cidade que é Campinas e eu era muito nova, estava indo com minha mãe e parte da minha família, mas quando chegamos a Campinas realmente foi incrível, uma cidade que a gente ama até hoje”.

A ex-jogadora atualmente mora em Louveira, nas proximidades de Campinas, o que facilita “matar a saudade” do município. “Estou sempre lá, meus irmãos tem negócios na cidade”.

Sobre como foi atuar na Ponte Preta, Helen diz que foi uma experiência diferente. “Jogar em uma equipe que é principalmente voltada ao futebol, foi incrível. Era meu segundo ano de adulto e foi uma experiência incrível. A gente foi muito cuidada pela torcida, ficamos até o ano de 1994, foi uma descoberta para todo mundo, convivendo com outro tipo de torcida, pois torcida de futebol não é a mesma coisa que torcida que não seja de futebol e fez muita diferença”.

Helen lembra do carinho e do reconhecimento. “Lembro dos treinos lotados, éramos paradas nas ruas, os torcedores protegiam a gente, era incrível. Tenho muitos bons momentos em Campinas, a Ponte Preta foi um dos times em que eu mais gostei de atuar. A cidade ‘abraçou’ a gente. Campinas tem a cara do basquete feminino e eu fico muito feliz de poder ter contribuído de alguma maneira, a gente foi bicampeã mundial de clubes, isso é um feito histórico para o clube, que é mais focado para o futebol”.

A ex-ala armadora aproveitou para enaltecer mais uma vez os torcedores. “Foram momentos especiais da minha vida. Uma das torcidas mais apaixonantes que eu já vi. Foi um prazer enorme atuar pela Ponte Preta”.

Mais recordações


Irmã de Helen, a ex-armadora Silvinha que a princípio fazia parte do time juvenil, mas treinava na equipe adulta, recordou o período. “Tínhamos uma das melhores equipes no juvenil e consequentemente no adulto. Algumas de nós da equipe do juvenil já fazíamos parte também do grupo adulto. No primeiro momento, o susto, medo, respeito, mas a alegria de poder estar em uma das melhores equipes do Brasil. Não tinha moleza, cada dia era um aprendizado.”.

Silvinha recorda o período com alegria. “As lembranças são sempre positivas. Muito aprendizado, foco, comprometimento, crescimento e vitórias vindas sempre de muito trabalho. Sem falar do convívio que é o que mais tenho saudade.”

Comando

Comandante da equipe, Maria Helena Cardoso, que teve uma carreira vitoriosa como jogadora e também como treinadora, relembra como foi a ida para a Ponte Preta, após o período de conquistas em Piracicaba.

“Nossa ida para a Ponte Preta foi através do Marquinho Chedid (empresário). Ele foi para Piracicaba e deu início a conversa para irmos para a Campinas e montarmos a equipe e depois eu ajudei na montagem, escolhendo as jogadoras para formar o elenco”, recorda Maria Helena.

Na temporada de 1992, integraram o elenco jogadoras que atuaram em Piracicaba e a partir de 1993, com o patrocínio da Nossa Caixa, a equipe ganhou o reforço de Hortência.

Com o reforço, foi realizado um sonho de anos dos fãs de basquete em todo o Brasil, que desejavam ver em um mesmo clube, Hortência e Paula atuando juntas, já que isso até então “só” havia sido possível pela Seleção Brasileira.

“O primeiro ano foi mais tranquilo. Como a maioria das jogadoras tinham vindo de Piracicaba, já estávamos acostumadas com a equipe, depois no segundo ano, com a vinda da Hortência,a equipe ficou com muitas líderes.”, explica Maria Helena.


Um time de estrelas necessita de um comando competente. Ao Momento do Esporte, a ex-treinadora explica como administrou o grupo. “Um líder é bom, dois ainda é bom, mas três já complica um pouco. Ficamos com a Paula, a Hortência e a  Karina. Aí foi trabalhar mais a  parte mais psicológica, pois dentro da quadra ficamos uma equipe imbatível”.

Maria Helena acrescenta. “Até o Campeonato Paulista, por exemplo,acabou perdendo um pouco o seu valor, pois as outras equipes jogavam para ver quem ia ser a vice-campeã, porque a campeã já estava determinada que era a Ponte.”

O trabalho vitorioso em Campinas foi possível, após dois pedidos da ex-treinadora serem atendidos. “Sempre trabalhei com a minha comissão técnica. Disse que viria para a Ponte se pudesse trabalhar com a minha comissão e se a gente fizesse um trabalho de base”, explica.


Um período tão vitorioso, só deixaram boas lembranças para Maria Helena, que recorda as principais. “Todas as vitórias, os títulos conquistados, mas uma das maiores lembranças foi a torcida da Ponte Preta, porque a gente jogava em outros lugares, tinha torcida, mas a da Ponte tinha uma coisa de especial. A do XV de Piracicaba era muito boa, mas a da Ponte nos surpreendeu, foi um jogador que tínhamos fora da quadra”.

A ex-treinadora, medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos de Havana-1991 segue enaltecendo a torcida. “Nos ajudou, principalmente no primeiro ano em que não tínhamos uma equipe cheia de estrelas, acho que a outra estrela da equipe foi a torcida.”

“Uma outra lembrança muito grande foi que o trabalho durou três anos e nesses três anos a gente conseguiu montar seis categorias da Federação (Paulista) da mini ao adulto e em  1994 conseguimos um feito que até hoje não foi batido por nenhuma equipe.Muitos técnicos do Brasil inteiro mandavam jogadoras para nós. O trabalho foi coroado com o título paulista de seis categorias.”, orgulha-se.


“Pena que o patrocínio acabou e a equipe teve que ser desfeita”, lamenta Maria Helena que seguiu com sua carreira até ter uma segunda passagem pela Macaca, em 2006.

Retorno

“Meu interesse era de ficar morando em Campinas, a gente (ela e sua auxiliar técnica e amiga Heleninha) gostou da cidade e queríamos voltar para a Ponte, os amigos que a gente fez, a torcida, a gente queria morar para sempre aqui e tentamos montar a equipe novamente e com a ajuda da diretoria foi tentado um patrocínio e começamos a trabalhar”.

Porém, no caminho surgiu um obstáculo. “O patrocinador que havia se comprometido, dado a palavra, terminou a parceria antes de começar e ficou impossível de continuar, mas nos seis meses que a equipe durou, serviu para ficarmos felizes com o trabalho, pois viemos e o Campeonato Paulista já havia começado e ficamos com as jogadoras que sobraram, montamos a equipe de última hora e mesmo assim ficamos com o vice-campeonato, foi uma performance muito boa. Infelizmente sem um patrocinador não tinha como manter o time. Aí eu resolvi me aposentar.”

Identidade

O amor pelo clube, surgiu antes de trabalho na Macaca. “Eu sou pontepretana de coração, nós morávamos em Descalvado (cidade do interior de São Paulo), mas meu pai (Osvaldo Cardoso, o Calá) tinha um carinho enorme pela Ponte Preta, ele tinha sido jogador de futebol. Ele sempre falou que em Campinas, ele era torcedor da Ponte, era o time do interior que ele gostava e eu desde menina gostava da Ponte”, revela.

A idolatria pelo clube só aumentou após sua passagem por ele. Embora comente durante a entrevista que não deixa de torcer para o Guarani, quando este está representando a cidade de Campinas e na capital nutra carinho pelo Palmeiras, “meu coração é mesmo pontepretano”, diz Maria Helena.


Ainda durante o bate-papo, a ex-treinadora comenta que gostaria que a Ponte Preta retomasse as atividades do basquete, deixando sugestões. “A Ponte tem o Paineiras, poderia sempre pensar um pouco que o basquete deu tantas alegrias para o clube, poderia fazer pelo menos as categorias de base, um trabalho de base , até mesmo junto com a Prefeitura.”.

“Moro em Campinas e fico triste de ver que a Ponte Preta não está mais no basquete”, diz Maria Helena que conclui deixando uma mensagem aos torcedores. “Gostaria de falar para as pessoas que nos acompanharam na época, que eles conquistaram um lugar no meu coração. A Ponte Preta para mim não é só o nome, mas sim as pessoas que conheci, são os amigos que eu fiz.”

Com a colaboração de Simone Pontello, campeã mundial de 1994 pela Seleção Brasileira.

 

Fotos – Arquivo Silvia Luz/Gazeta Press

Moura Nápoli

Moura Nápoli

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