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VIVIAN LOPES: UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

AO MOMENTO DO ESPORTE, EX-ATLETA RELEMBRA TRAJETÓRIA NO BASQUETE



Por Daniel Nápoli

Para ser uma grande atleta, logicamente é necessário talento. Mas isso não basta. São necessárias também força de vontade, saber fazer escolhas e também contar com pessoas que lhe deem apoio  em momentos chaves.

Ex-ala-armadora da Seleção Brasileira de Basquete Feminino, Vivian Lopes teve tudo isso, tendo uma das mais belas histórias de superação no esporte.

Ao Momento do Esporte, ela recorda sua trajetória, comenta sobre o cenário atual do basquete feminino e fala sobre outro grande desafio enfrentando recentemente.

Início

Na infância, Vivian era acostumada a brincar na rua e curiosamente, não era de basquete. “No começo, eu assistia basquete, mas não tinha interesse em fazer. Eu brincava muito na rua e a única coisa que eu não fazia era jogar basquete na rua, não é como agora que você vê por aí tabelas de basquete para brincar na rua, em praças, nos parques”.

“Antigamente eu brincava mais de futebol, queimada, vôlei e como eu ficava muito na rua a minha mãe viu que a filha de uma amiga dela praticava esporte no Centro Olímpico, aí ela me colocou lá para a sair da rua e foi aí que eu acabei escolhendo basquete, pois essa filha da amiga da minha mãe ia fazer basquete. Como eu ia com ela eu fui pra essa modalidade”, recorda Vivian.

Crescendo em uma época em que as grandes referências da modalidade eram a Rainha Hortência e a Magic Paula, Vivian se identificava com outros nomes.  “Quando eu assistia os jogos o que me empolgava no basquete era a vontade, a determinação principalmente quando assistia ao jogo da Vânia Hernandez, na época da Minercal e da Branca. Eram jogadoras que me chamavam muito mais atenção do que Paula e Hortência, apesar de serem as craques do basquete, o que me chamava a atenção era aquela garra, aquela gana.”

A ex-ala-armadora ingressou no Centro Olímpico aos 11 anos de idade e três anos depois, em 1990, recebeu a primeira convocação para a Seleção Paulista e Brasileira. “Peguei uma Seleção sub-17, mas infelizmente eu acabei tendo uma lesão séria no joelho u acabei levando um ano para tentar me recuperar e acabei me lesionando de novo, tendo que operar.

Uma rápida ascensão pareceu ter sido gravemente ameaçada com as lesões, porém foi aí a equipe de Santo André apareceu em sua vida, em um momento decisivo. “Na época Lacta/Santo André, já havia me chamado no ano anterior para jogar lá, só que eu não fui liberada pelo clube (Centro Olímpico). Infelizmente acabei me machucando e Santo André  ainda me chamou de novo, mesmo machucada, foi quando fiz minha primeira cirurgia no joelho”, comenta Vivian.

“Santo André já começou tendo uma atitude muito nobre. Viram um talento em mim e mesmo eu estando contundida me levaram. Infelizmente fui para Santo André e já logo no começou que operei e voltei a jogar, fazia um mês que eu estava treinando, a Arilza (Coraça, então treinadora da base e atual, atual comandante do time Adulto do Santo André) estava super empolgada comigo e acabei lesionando de novo o joelho e essa fase me marcou muito, pois eu lembro que eu caí chorando de um lado e a Arilza saiu chorando para o outro”, recorda.


“Nem ela estava acreditando que eu tinha machucado de novo. E a Arilza foi uma pessoa muito importante na minha vida, principalmente na área do psicológico, do emocional, porque ela foi assim uma das únicas que nunca desistiu de mim”, fala Vivian com gratidão.

A ex-ala-armadora faz questão de destacar que Arilza nunca teve uma palavra negativa. “ Quando eu já tinha ouvido falar, ‘ah uma cirurgia a mais, uma a menos tanto faz’, ‘ah, não dar em nada, essa menina só machuca’, ela não. A Arilza falava ‘filha vamos, calma, você vai ficar bem, você vai recuperar, você vai voltar a jogar bem. Eu operei cinco vezes seguidas e ela mantendo sempre aquele apoio.Deus me mandou para o time certo, para as pessoas certas.”

Depois de cinco cirurgias seguidas e um longo período de recuperação, Vivian retornou ás quadras em 1995 e volta foi em grande estilo, sendo campeã do Paulista Juvenil e também do Adulto, quando já completava o elenco.

Em 1996, ano em que foi efetivada no Adulto, Vivian seguiu em ascensão, recebendo o prêmio de revelação do Campeonato Paulista, porém uma nova lesão entrou em seu caminho, lhe forçando a uma sexta cirurgia, sempre no joelho.



“Santo André me ajudou na formação do meu caráter. A Arilza e a Laís (Elena, falecida no ano de 2019 , ex-atleta e treinadora por décadas do time Adulto Andreense) foram ‘mãezonas’, não tenho o que falar delas, foram pessoas espetaculares na minha vida, tenho que agradecer muito. A Arilza principalmente, tudo o que eu tinha para pedir de  conselhos,  ela que me dava, porque eu estava longe da minha família”, frisa Vivian.

A ex-esportista ao seguir falando de sua formação e gratidão, destaca mais uma intervenção de Arilza. “Eu tinha parado de estudar, com tantas lesões no joelho, eu ficava muito tempo de muleta e ela ‘ficou na minha orelha’ para eu voltar a estudar, até que eu voltei e terminei o Colegial (Ensino Médio)”.

“Ao Santo André eu só tenho a agradecer, é um time que mora no meu coração, que eu defendo com unhas e dentes, porque eu sei o que é Santo André e o que a Laís e a Arilza fizeram para manter a equipe, o que nós atletas fizemos para manter a equipe e conseguir patrocinador. Ficamos sem receber para manter a equipe, amassamos latinha, vendemos jornais junto com a Arilza e a Laís para manter, tiveram períodos que elas bancavam para manter a equipe, então é um trabalho que o basquete feminino não é fácil manter. Tem que ter um amor muito grande. Sou muito grata”, enaltece Vivian.



No clube andreense, Vivian permaneceu por 15 anos, sendo campeã Paulista, do Brasileiro e do Sul-Americano. “No Centro Olímpico eu jogava mais individualmente, onde o Zé Paulo (técnico) despertava isso em mim, incentivava a ter que decidir mais e em Santo André eu aprendi a jogar também taticamente, coletivamente, onde foi que eu deslanchei mesmo, apesar das minhas contusões e cirurgias”, explica Vivian sobre as diferenças de estilos em sua formação.

Ao sair de Santo André, em 2005, Vivian se transferiu para o Limpol/São Caetano, em que treinada por Borracha, atuou por duas temporadas. “Joguei em São Bernardo, no fim de carreira, mas foi muito bom, Catanduva joguei, mas infelizmente tive outra lesão no joelho e acabei ficando de fora no Pan- Rio (2007) e passei pela sétima cirurgia (no joelho).Esses clubes foram muito importantes para o meu aprendizado como atleta e como pessoa.

Seleção Brasileira

O período vitorioso em Santo André, fez com que Vivian chegasse à Seleção Brasileira Adulta, tendo conquistado a medalhe de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo (2003), além de ter disputado os Jogos Olímpicos de Atenas-2004, em que o Brasil ficou na quarta colocação.


Ao Momento do Esporte, a ex-atleta comentou sobre sua trajetória defendendo o país. “Para mim surgiu (a oportunidade de defender o Brasil)  quando eu tinha 25 anos, nem pensava mais em Seleção Brasileira, porque a minha sexta cirurgia tinha sido com 22 anos , então não pensava muito e graças a Deus eu tive um período de sete anos sem contusões sérias, principalmente no joelho e foi onde eu consegui jogar pela Seleção vários Sul-Americanos, Pan-Americano, Pré-Olímpico, Copa América e Olimpíada que foi o topo, independente das minhas lesões eu consegui chegar no mais alto do que eu fazia, que era ser uma atleta olímpica, representar o Brasil em uma Olimpíada, onde por pouco, por detalhes nós não beliscamos uma medalha.

 “Eu acho que foi a única coisa que faltou (uma medalha olímpica) e eu aprendi muito, jogar internacionalmente que é completamente diferente de jogar no Brasil e o (Antônio Carlos) Barbosa (treinador da Seleção Brasileira na época) nesse ponto me ajudou muito, me deu muitos conselhos, tanto taticamente quanto pessoal, onde eu levo também com muito carinho para vida, pois quando a gente para são essas coisas que a gente leva pra vida. E o Barbosa sempre foi uma pessoa muito leal e um estrategista também e um bom trabalho de grupo.”

Vida pós-quadra

“Em 2007 quando eu tive a minha sétima lesão e fiquei de fora do Pan do Rio, ali eu decidi que iria parar (de jogar). Ali eu levei um ano para me recuperar. Depois joguei mais um pouco até me formar, pois decidi fazer faculdade (Educação Física), quando terminei eu decidi parar e através de um amigo meu, Carlos que é personal, me convidou se não queria dar aula e acabei me encantando por essa profissão e estou nela até hoje”, comenta Vivivan.

Cenário atual

A ex-atleta e atual personal trainer analisa ainda o atual cenário do basquete feminino brasileiro. “Nós temos que ter paciência com essas meninas que estão chegando agora, com o novo treinador (José Neto, técnico da Seleção Brasileira), não é fácil essa transição, nós temos que saber que não temos nenhuma Hortência, Paula, Janeth, Leila, Cintia Tuiú, Marta, então agora a gente não tem nenhuma jogada que a gente possa falar que será a salvação de pátria. Nós temos que trabalhar coletivamente que é o que o técnico está fazendo, tem que trabalhar bastante a transição, tem que adquirir experiência internacional , porque não é fácil jogar contra times europeus, são altas”.

“Apesar de que temos uma referência que vai ser a Damiris, que está se destacando muito lá fora (na WNBA)e tem muito a acrescentar, mas realmente tem que ter paciência para esse futuro e trabalhar para descobrir novos talentos  e para isso tem que arregaçar as mangas, tanto a CBB quanto os clubes. Acreditar no trabalho que está sendo feito agora.”

Conselho


“Vivian aproveita para aconselhar quem deseja seguir uma carreira no esporte. “Quem quer ser um atleta de verdade, conseguir disputar uma Olimpíada, conquistar uma medalha em qualquer esporte, tem que saber abdicar das coisas. Porque eu lembro que eu em toda minha vida de atleta, se eu saí cinco vezes a noite para uma balada foi muito.

“Eu acho que hoje em dia os atletas de categoria de base não estão levando muito a sério. Para aqueles que querem ser atletas, não adiante, você vai ter que abdicar de alguma coisa. E nesse caso, nessa fase, você vai ter que abdicar mais da sua vida pessoal para se dedicar ao esporte que você está praticando, para ser um atleta olímpico, conseguir medalhas, conquistar títulos e ser um atleta de alto rendimento realmente, focado, determinado, porque senão não vira não”, orienta.

Covid-19


Há menos de um mês, Vivian viveu o maior desafiou de sua vida, período em que sua família viveu em angústia. “Recentemente eu passei por um problema sério de saúde. Infelizmente parece que caiu uma bomba atômica em minha família. Eu,  minha mãe, meu irmão mais novo, minha cunhada, meu tio e seus filhos pegamos Covid praticamente ao mesmo tempo. Eu fui internada, fui intubada e nasci de novo.”, destaca.

“Eu quero fazer esse depoimento não só pela minha recuperação, mas para agradecer a Deus pro essa vitória, essa nova chance, mas para agradecer aos anjos da medicina. A equipe do Dr. Felipe Gallego (foto acima), médico do Incor e sua equipe toda, desde o pessoal da limpeza até a equipe de enfermagem e dos médicos “, enaltece,

“Eles foram fundamentais nessa minha vitória, eles lutaram pela minha vida e não tenho o que falar o que eles fizeram por mim. São pessoas iluminadas por Deus, que estão ali no combate, de frente, combatendo esse vírus, eles correram para o ataque e nós corremos para a defesa”, acrescenta a personal.


Vivian, seu irmão e primos, conseguiram vencer a doença, porém, infelizmente sua mãe e tio acabaram vitimados pela Covid-19. “Infelizmente esse vírus tirou a vida da minha mãe (foto acima), uma mulher cheia de vida, forte, que criou os quatro ilhós muito bem, uma mulher guerreira, tive a quem puxar. Que me levou para o esporte. Minha mãe (Izilda) foi uma mulher maravilhosa e que infelizmente foi embora cedo. Meu tio foi junto, meu tio querido, Carlinhos (ao lado da mãe de Vivian, na foto acima). Se foi praticamente no mesmo dia”

“Foi uma tragédia, mas que só com o tempo passa. Vou seguir o exemplo dela, manter-me firme, vida que segue, lutar pela vida e ser guerreira como ela foi”, emociona-se Vivian que faz questão de enaltecer sua irmã, Alessandra (foto abaixo). “Segurou essa barra toda sozinha praticamente. Eu estava internada, minha mãe estava internada, meu tio estava internado, meu irmão mais novo e meu irmão mais velho se recuperando tinha saído do hospital e tudo ficou em cima dela”.


“Quando fui extubada, minha irmã apareceu lá no hospital. Eu não queria comer, o médico veio falar comigo, viu que eu não estava bem e pediu para minha irmã ir até o hospital, ela pegou na minha mão, eu mal conseguia falar, disse que estava lá para me proteger, me fez lutar pela vida de novo. Fiquei outra pessoa após a ida dela lá. Queria muito agradecer a minha irmã, ela foi um ‘mãezona’ para todos nós. Ela sempre foi nosso alicerce além da nossa mãe. Ela me salvou também, me tirou do fundo daquelas trevas que eu estava”, emociona-se mais uma vez a personal.


Em meio a um período difícil, Vivian destaca que seus sobrinhos (Guilherme, Diogo e Cristian, com ela na foto) tem auxiliado em sua recuperação e tem sido o combustível da família para seguir em frente. “Meus sobrinhos, os meus filhinhos que eu amo tanto, faço esporte com eles...essas crianças estão fazendo com que a família inteira tire o foco do luto. São eles que estão dando força pra gente”, conclui.

 

 

Fotos – Arquivo pessoal

Moura Nápoli

Moura Nápoli

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